
De repente meu amigo pergunta quem eu achava que tinha sido o meu amor de verdade na vida. E a primeira imagem que me meio foi a daquele cara lá de anos atrás... Coisa engraçada num primeiro momento, afinal nos vimos pouquíssimo. Tive namorados, de curta e longa duração. Mas conforme meu amigo vai falando, tudo vai batendo, tudo vai se encaixando com o que eu vivi com aquele cara.
As lembranças, os detalhes, os cheiros, as cores, as sensações, as palavras, a vontade de estar, o medo de perder, o sofrimento de não ter, tudo bateu. Tudo. Durante muito tempo lembrava da placa do carro dele, da data de aniversário dele, do número de telefone dele.
E aí lembrei que, vez por outra, ainda lembro muito dele. E que algumas vezes, com outros, a lembrança dele também se faz presente. E lembrei das nossas afinidades. E como gostávamos daquele seriado específico, daquele joguinho de computador. Lembrei de quando ouvi aquela música a primeira vez, no carro dele. Perguntei o que era, ele me disse. Anos depois, nos EUA, achei o CD do tal grupo. E comprei. E a lembrança daquele dia me veio novamente. E vez por outra ouço uma das minhas bandas favoritas. E lembro que a primeira vez que a ouvi também foi na companhia dele.
Até certo tempo atrás, eu dava umas olhadinhas no Orkut, no perfil dele (coisa que acabei de fazer novamente, aliás).
E foi assim que descobri o meu primeiro verdadeiro amor na vida.
E a conversa continuou, e descobri meu segundo verdadeiro amor. Esse é mais platônico, confesso. Não houveram beijos nem trocas de fluidos. Mas até hoje tenho um carinho muito grande por ele. Um misto de querer bem com querer pra mim. Por que, de novo, lembro de tudo. Do primeiro dia que o vi. Do primeiro dia que o vi ao vivo. Do primeiro dia que falei com ele. Dos assuntos, das brincadeiras. De quando ele me contou que tava saindo com um mocinho e de como eu fiquei meio decepcionado. Mas depois do quando eu fico contente em vê-lo, em saber dele.
E foi assim que descobri o meu segundo verdadeiro amor na vida.
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